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A trajetória de “Resident Evil”

31 mar Postado por punk em Notícias | Comentários

Parece que foi ontem, mas aquele susto inesquecível protagonizado pelos cachorros zumbis no escuro corredor da Mansão Spencer aconteceu há 15 anos (mais precisamente em 22 de março de 1996 no Japão e no dia 30 nos Estados Unidos).

Criada pela Capcom, a série “Resident Evil” se tornou um marco na história do videogame com elementos de horror. Sua narrativa complexa e aterrorizante, seus zumbis e criaturas geneticamente modificadas, seu visual único com câmeras fixas em cenários pré-renderizados e sua trilha sonora horripilante marcaram uma geração de jogadores e inspiraram incontáveis jogos de terror.

O sucesso foi tanto que “Resident Evil” se tornou um ícone pop, se popularizando cada vez mais em diversas mídias que ultrapassaram os limites do pixel: além de livros para explicar e estreitar os espaços deixados pela narrativa dos jogos, também ganhou uma diferente perspectiva nos cinemas e – apesar das críticas de fãs da série devido a inconsistência do roteiro e personagens desconectados com a trama original -, os longas-metragens se tornaram sucessos de bilheteria, popularizando a franquia também ao público que nunca jogou videogame.

Nas próximas páginas, contaremos as origens de “Resident Evil” e como sua contribuição mais marcante, o apelo do terror, influenciou – e continua inspirando – os games que vieram depois das horripilantes aventuras em Raccoon City.

Antes de “Resident Evil”, o horror nos videogames já havia sido tratado em diferentes títulos, como os filmes interativos da série “Phantasmagoria”, de 1995, e do adventure “Seventh Guest”, de 1993, mas todos mostravam um terror leve, sem muita pretensão de apavorar o jogador.

Um jogo que marcou época pelo apelo de terror mais “adulto” foi “Alone in the Dark”, produzido pela Infogrames em 1992. O jogo, que já contava com a artimanha de cenários pré-construídos em estações gráficas que minimizavam o processamento em tempo real, contava com uma trama de terror bem amarrada situada em uma mansão nada hospitaleira e repleta de criaturas sobrenaturais.

Apesar de controles complicados de se dominar e uma mecânica lenta para o padrão dos jogos 2D de sua época, “Alone” fez história, se tornando um dos principais representantes do horror nos computadores e videogames.

Desta forma, pode-se dizer que “Alone” serviu como fonte principal de inspiração para a mecânica de “Resident Evil”, que seguiu seus passos ao utilizar as câmeras fixas e o terror de sobrevivência, em que a tensão é gerada pelos inimigos perigosos e a escassa quantidade de munição.

 

Quatro anos antes de “Resident Evil, “Alone in the Dark” (1992) estabeleceu as bases do que foi chamado de jogo de horror de sobrevivência, popularizado pelo jogo da Capcom


Na hora certa

A diferença de “Resident Evil”, entretanto, é que o criador da série, Shinji Mikami, fez tudo como deveria ser, e é inegável que o poderio sem precedentes do PlayStation para gráficos poligonais em 1996 também colaborou para que a produção fosse a mais impressionante possível para a sua época.

Desta forma, os gráficos da série da Capcom eram muito mais bonitos que os de “Alone in the Dark”, com cenários pré-renderizados em estações gráficas de ponta e inseridos nas cenas como um papel de parede.

Os personagens, por conseguinte, eram compostos por polígonos e textura aplicada e se movimentavam com uma animação realista para os personagens e seus tiros, todos acompanhados por efeitos sonoros fiéis às armas reais e uma trilha sonora aterrorizante composta por instrumentos clássicos. Por fim, os controles de “Resident Evil” funcionavam muito melhor e a dificuldade não era tão punitiva.

O mais curioso, porém, é que, apesar de “Alone” ser a aparente fôrma de “Resident”, Mikami diz ter se inspirado em “Sweet Home”, um obscuro RPG de horror para Nintendinho baseado em um filme homônimo (e feito pela própria Capcom). Entre muitos detalhes perceptíveis presentes nesse game de visão do topo, podemos citar a mansão no meio da floresta, o estilo dos quebra-cabeças e a mórbida animação das portas que se abrem a cada ambiente visitado.

 

A inspiração declarada de "Resident Evil" é "Sweet Home", segundo Shinji Mikami

A Noite dos Mortos-Vivos

É certo que o criador da série, Shinji Mikami, bebeu em diversas fontes famosas – e outras nem tanto – para produzir o primeiro capítulo da saga “Resident Evil”. Se o obscuro “Sweet Home” inspirou Mikami a incluir a tensão provocada pela animação das portas abrindo a cada novo ambiente da terrível Mansão Spencer, as histórias de casas assombradas dos filmes deram o cenário ideal para abrigar o mal que esperava os destemidos soldados do grupo S.T.A.R.S.

Além disso, os zumbis de George A. Romero completam o pacote de inspiração cultural desse jogo. Ao incluí-los, Mikami admite que sua ideia inicial era a de utilizar fantasmas no lugar dos mortos-vivos, mas optou pelos zumbis por personificar algo de que as pessoas sabem que devem correr, pois ao contrário dos espíritos, tais criaturas são concretas e buscam desesperadamente sangue e carne fresca.

À época, aliás, o roteiro sequer estava pronto, já que Mikami não considerava que o jogo precisava realmente de uma história além da simples busca pela sobrevivência, algo até comum nos filmes de Romero, já que muitas vezes a fita acaba sem uma explicação de como aconteceu a infestação de zumbis.

 

Antes de ter zumbis, "Resident Evil" usaria fantasmas para assustar o jogador, segundo o criador

A franquia “Resident Evil” é atualmente a de maior sucesso entre todas as populares séries da Capcom.

A extensa e variada gama de versões canônicas e séries paralelas lançadas ao longo de diferentes gerações de consoles e portáteis rendeu ao jogo a incrível marca de 45 milhões de unidades vendidas, contra os 30 milhões do segundo colocado, nada mais, nada menos que o lendário jogo de luta “Street Fighter”.

Veja abaixo as edições de “Resident Evil” que mais venderam até o final de 2010:

 

Quinze títulos da série "Resident Evil" venderam mais de um milhão de cópias; franquia acumula mais de 45 milhões e é o maior sucesso da produtora Capcom

Até 2010, “Resident Evil” teve sete episódios canônicos, desde o pioneiro “Resident Evil” até o mais recente “RE5″, passando por prólogo, o capítulo “Zero”, e “Code Veronica”. A trama do jogo é centrado na corporação Umbrella, ao menos nos primeiros games, mas, a partir de “Resident Evil 4″, a empresa do mal deu espacço para outras ameaças.

Além dos jogos principais, a franquia também recebeu uma grande variedade de “Spin-offs” que apresentam tramas paralelas às da série canônica. O PlayStation 2, por exemplo, ganhou a série “Outbreak”, que coloca os jogadores para unirem suas forças em ambiente online. O primeiro jogo da série (no total foram dois), lançado em 2003, vendeu mais de 1,45 milhão de cópias.

Já no Wii, “Umbrella Chronicles” é um jogo de tiro “sobre trilhos” que contou alguns dos acontecimentos importantes da história. No total, o primeiro jogo da série exclusivo para o console da Nintendo vendeu 1,2 milhão de cópias.
ssim como muitos livros que sofrem adaptação para os filmes de cinema, a série “Resident Evil” também possui diferenças distintas entre as histórias que são contadas nos livros e nos longas exibidos nos cinemas.

Enquanto os romances japoneses e norte-americanos – apesar de abordarem os acontecimentos de formas diferentes -, se prendem à obra original idealizada por Shinji Mikami e servem para complementar a trama já conhecida dos jogos de videogame, os filmes dirigidos por Paul W. S. Anderson não tem a mínima pretensão de respeitar os eventos dos jogos, confundem ainda mais o jogador e servem apenas como uma sessão pipoca recheada de boas doses de ação.

"The Umbrella Conspiracy" foi o primeiro livro em inglês baseado na franquia de horror, e foi seguido por "Caliban Cove", "City of the Dead", "Underworld", "Nemesis", "Code: Veronica" e "Zero Hour"

Desta forma, os filmes servem apenas para divertimento ocasional, pois aos jogadores que desejam entender melhor a complexa trama dos games de forma mais detalhada, o livro é sua melhor opção.

O primeiro conto da série “Resident Evil” foi lançado em 1997. Intitulado “The Beginning”, a história escrita por Hiroyuki Ariga compôs o livro “The True Story of Biohazard”, que foi oferecido como brinde da versão para Sega Saturn do primeiro jogo. A trama serve como um prelúdio dos eventos do “Resident Evil” original, com Chris Redfield investigando o desaparecimento de seu amigo, Billy Rabbitson.

No Ocidente, o escritor norte-americano S.D. Perry – autor de contos inspirados em séries como “Aliens vs. Predator” e “Star Trek” – foi o responsável pelos romances do jogo de terror. Ao todo foram sete obras que, além de narrar os acontecimentos dos quatro primeiros jogos, contam com duas tramas inéditas que acontecem entre alguns destes games.

Trama paralela

Já no cinema, a trama ficou mais confusa que as ruas de Raccoon City após serem devastadas pela Umbrella. É até comum que os diretores e roteiristas de cinema optem por modificar completamente a narrativa de um jogo para adaptá-lo à dinâmica dos filmes, então, goste ou não, os longas norte-americanos cumprem o seu papel neste aspecto.

Amparados pela máxima de que “o mais importante é divertir o espectador”, a Capcom e a produtora Screen Gems, de Paul W.S. Anderson, decidiram criar um mundo paralelo aos acontecimentos do jogo.

Desta forma, nada do que acontece nos filmes deve ser levado em conta pelo jogador interessado na trama original do videogame, caso contrário, certamente ficará confuso com a salada mista de personagens desconexos que entram e saem do filme sem nenhuma explicação ou ligação com os jogos.

Pior que isso, a dinâmica do filme desconsidera qualquer tipo de elemento de terror do jogo, substituindo elementos tão característicos como a escassa iluminação e as músicas de horror orquestradas por um colorido exagerado, cenas agitadas de lutas coreografadas e embaladas por uma trilha sonora techno-pop.

E ainda tem gente que não gosta dos filmes de "Resident Evil"

Rumo ao quinto episódio

Sobre a trama, pode-se dizer que incoerência e contradição marcam a aparição dos personagens do jogo, que não passam de meros coadjuvantes para a protagonista Alice (interpretada pela esposa do diretor, Milla Jovovich).

Entre os heróis conhecidos dos jogos, destaque para Jill Valentine (que aparece em “Resident Evil – O Apocalipse”) e Claire Redfield (que substitui Jill em “Resident Evil: A Extinção”). Já Carlos Oliveira é conhecido como parceiro de Jill Valentine, mas nos longas é colocado como o fiel companheiro de Claire, mesmo que eles sequer tenham se cruzado nos acontecimentos do jogo.

Apesar da recepção negativa por parte de alguns jogadores, os filmes se consolidaram como um sucesso inquestionável de público nos cinemas. No total, os quatro filmes de W.S. Anderson arrecadaram mais de US$ 673 milhões em receita, sendo que o orçamento total das produções foi de US$ 183 milhões. Desta forma, fica até difícil dizer que Anderson e sua equipe erraram em não seguir o roteiro original.

As coisas estão tão bem que um quinto filme está sendo gestado, previsto para setembro de 2012, e já conta com as presenças de Milla Jovovich e Sienna Guillory (como Jill Valentine).

Pixels degenerados

Se nos Estados Unidos os filmes baseados no jogo decepcionaram os fãs da trama original, no Japão, o desenho de animação com computação gráfica “Resident Evil: Degeneration” teve a missão de recuperar o prestígio da série junto aos jogadores mais fanáticos.

A animação criada pela Capcom em cooperação com a Sony Pictures Animation estreou no arquipélago em outubro de 2008 e apresentou uma trama rica de detalhes em sintonia com o enredo dos jogos. Nela, o policial Leon Kennedy junta forças com Claire Redfield, reeditando a dupla de “Resident Evil 2″. O filme tem uma sequência programada para 2012, intitulada “Resident Evil: Damnation”.

No Japão, "Resident Evil" ganhou uma animação feita por computador

Não apenas os games, mas os filmes de "Resident Evil" também configuram sucesso comercial

Embora tenha a fama de cunhar o termo “horror de sobrevivência”, “Resident Evil” não foi o precursor do gênero de terror. O game acertou ao conseguir colocar o jogador em uma desconfortável sensação de pânico. A prova do feito está no fato de “Resident” ter inspirado muitos seguidores, alguns muito famosos.

Entre os anos 80 até os dias atuais, muitos jogos de terror foram lançados e abordam os mais diferentes temas. Alguns, como “Splatterhouse”, utilizam o terror como uma forma de explicar a quantidade de sangue jorrando na tela, outros, como “Silent Hill”, apresenta a sutileza e a melancólica busca de um homem por uma cidade abandonada para causar terror psicológico no jogador.

Confira abaixo alguns dos jogos que inspiraram “Resident Evil”, além de muitos que se aproveitaram das aterrorizantes portas abertas do jogo para trilharem seu próprio caminho na árdua tarefa de encantar o jogador lhe pregando sustos.

Sweet Home (1989)
Produtora: Capcom; plataforma: NES

Splatterhouse (1988)
Produtora: Namco; plataformas: arcade, PC Engine

D (1995)
Produtora: Warp; plataformas: PC, 3DO, Saturn, PlayStation

Diable de Laplace (1987)
Produtora: Vic Tokai; plataformas: NEC PC-8801, NEC PC-9801, Sharp X68000, PC (DOS), Turbografx CD, Super Famicom

Alone in the Dark (1992)
Produtora: Infogrames; plataformas: PC, 3DO

Dead Rising (2006)
Produtora: Capcom; plataformas: Xbox 360, Wii

Silent Hill (1999)
Produtora: Konami; plataforma: PlayStation

F.E.A.R. (2005)
Produtora: Monolith Studios; plataformas: PC, Xbox 360 e PlayStation 3

Dead Space (2008)
Produtora: Electronic Arts; PlayStation 3, PC e Xbox 360

Siren (2003)
Produtora: Sony; plataforma: PlayStation 2

Fatal Frame (2001)
Produtora: Tecmo; plataforma: PlayStation 2, Xbox

Eternal Darkness (2001)
Produtora: Silicon Knights; plataforma: GameCube

Dino Crisis (1999)
Produtora: Capcom; plataforma: PlayStation, Dreamcast

Doom 3 (2004)
Produtora: Activision; plataformas: PC, Xbox

Left 4 Dead (2008)
Produtora: Valve; plataformas: PC, Xbox 360

Shadows of the Damned (2011*)
Produtora: Grasshopper Interactive; plataformas: PlayStation 3 e Xbox 360

Resident Evil: Revelations (ND*)
Produtora: Capcom; plataforma: 3DS

Silent Hill: Downpour (2011*)
Produtora: Konami; plataformas: X360, PS3

Muito popular em séries de filmes e livros, o terror há anos espanta, assusta e amedronta os espectadores.

A obsessão dos escritores e roteiristas pelo terror possui um objetivo claro: provocar uma sensação desconfortável de medo a quem se aventura a mergulhar de cabeça neste universo do sobrenatural, mas sem perigo à integridade física do leitor/espectador.

Curiosamente, o terror como conhecemos surgiu há mais de cem anos, quando romances como “Drácula”, do irlandês Bram Stocker, de 1897, ou “Frankenstein”, escrito pela britânica Mary Shelley em 1818, já tiravam o sono dos leitores.

No cinema, um dos primeiros filmes de horror a fazer história na telona foi “Nosferatu”, um clássico expressionista do cinema mudo de F. W. Murnau (1922), baseado no citado “Drácula”. Desde o horror em preto e branco do vampirão até os dias atuais, o medo continua a habitar as produções de cinema do mundo todo.

A popularização dos mortos vivos

George A. Romero fez fama com filmes sobre zumbis

Desde a série japonesa “Ringu” (“O Chamado”), até filmes impactantes como “O Exorcista” e “Poltergeist” ou produções oitentistas como “Sexta Feira 13″ e “A Hora do Pesadelo”, nenhum filme inspirou mais as ruas de Raccoon City quanto os longas de George A. Romero.

O cineasta norte-americano é o grande responsável pela proliferação dos zumbis nos cinemas, tanto que graças ao seu talento nato para criar histórias de sobrevivência em uma cidade infestada por mortos-vivos, foi criado até um subgênero dos longas de terror , o de “filme de zumbis”.

E se engana quem pensa que a obsessão de Romero pelos zumbis começou recentemente, em filmes como “Terra dos Mortos” ou “A ilha dos Mortos”. A extensa lista de filmes de Romero inclui clássicos como “A Noite dos Mortos Vivos”, de 1968 e “Despertar dos Mortos”, de 1978.

Curiosamente, Romero chegou até ser cotado para realizar a adaptação de “Resident Evil” para os cinemas, mas devido a incompatibilidade de idéias, seu nome foi descartado em detrimento de Paul W.S. Anderson.

Fonte: UOL


 


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